Arte no Paço mostra a tradição e a beleza do artesanato local

Julho 20, 2019

Foto: Samuel Fortes

Texto: Raíssa Lessa

O auditório do Paço da Misericórdia ganhou novas cores e texturas nesta edição do Festival de Inverno de Ouro Preto, Mariana e João Monlevade. Durante o evento, o espaço recebe a Arte no Paço, com oficinas, intervenções culturais e feira de artesanato. A exposição conta com cerca de 70 artífices de Ouro Preto e seus distritos. Eles têm a oportunidade de mostrar e comercializar toda a beleza e a diversidade dos trabalhos produzidos manualmente por eles. 

Além da exposição, o público que visita o Paço da Misericórdia pode aproveitar as outras atividades oferecidas no local, como aprendizados com os mestres e mestras de ofício, que fazem os artesanatos durante a feira; oficinas voltadas para atender ao público e aos próprios artesãos; minicursos; peças de teatro; programação infantil; além da deliciosa gastronomia local. 

Greiciana Pertence Reis, coordenadora do Arte no Paço no Festival de Inverno, destaca a importância de incluir receber a iniciativa na programação de 2019: “Os expositores estão muito motivados com a experiência e já estão planejando outras intervenções no local. Estar aqui no Festival é muito importante, pois dá visibilidade para os artistas da região e é uma oportunidade para eles se apropriarem desse ambiente e entenderem que o lugar é deles”. 

A curadora da exposição e vice-presidente do Conselho do Paço da Misericórdia, Sarah MacFadem, também reconhece a necessidade de os artesãos reivindicarem para si o espaço cultural. “Para nós, muito mais importante do que vender, é ocupar o Paço da Misericórdia. Aqui, a cultura está sendo feita, mesmo com pouco recurso e incentivo. O Festival traz uma riqueza cênica, musical, plástica e de linguagens. Essa riqueza diz um pouco o que é o Brasil”, completa.

O secretário municipal de Turismo, Indústria e Comércio, Felipe Guerra, destaca a relevância de se ter um lugar feito exclusivamente para abrigar o artesanato local na cidade. “O espaço foi pensado para ser o Centro de Artes e Fazeres em Ouro Preto. A exposição está linda e mostra toda a qualidade e a variedade do nosso artesanato, desde a joalheria e a prataria, muito forte no distrito de Santo Antônio do leite, às colchas produzidas em Cachoeira do Campo”, descreve. 

Expondo seus trabalhos na feira está a turismóloga Judith Andrade (63), que há mais de 25 anos faz trabalhos manuais. Ela divide o estande com mais três artesãs independentes, e cada uma faz um tipo de trabalho. “Aqui temos laços, tricô, bordado, estampas e muitas outras coisas”, conta. Para ela, o Paço deveria abrir permanentemente suas portas para os artesãos, além de oferecer continuamente várias oficinas e manifestações artísticas. “Ouro Preto merece esse espaço e tem turismo para ele”, afirma. 

Em outra bancada coberta por estampas coloridas em chita que adornam mochilas, almofadas e outras peças, a artesã Célia Antunes (54) – que também é presidente da Associação Arte, Mãos e Flores, do distrito de Antônio Pereira – expõe e comercializa suas peças. O coletivo existe há 15 anos e é composto por 28 mulheres que vivem do artesanato. “Nosso maior sonho é ocupar esse espaço, pois nós não temos ainda um lugar para expor. Ficar aqui permanentemente seria o ideal”, reforça.  Célia ainda conta, com muito orgulho, que as mulheres da associação reciclam uniformes velhos da Vale, que retornam para a empresa em forma de estilosas mochilas. “Estamos rodando o mundo, voando alto”, brinca.

A tradição dos ofícios, passada de geração a geração, chamou a atenção de Juliana Rossi (28), que veio de São Paulo para curtir o Festival de Inverno. Ela diz adorar a atmosfera cultural que permeia a cidade nesse período do ano e que se fez presente também na exposição. “Gostei muito da produção artesanal. Eu vejo várias artes que são tradicionais, coisas da época da minha avó, e isso me encanta”. 

Já o ouro-pretano Edgar Paiva (31), que reside atualmente em Belo Horizonte, veio ao Paço da Misericórdia revisitar o lugar, que já foi uma Santa Casa e diz estar feliz de encontrar ali a feira de artesanato e conferir o trabalho dos artesãos. “Eu achei o espaço bem legal, parece que está tudo bem organizado e foi uma grata surpresa. Encontrei aqui o Jacinto, que foi meu professor, vi o estande da Sinhá Olímpia, do meu bairro Bauxita. Pude me reconectar, pelo afeto, com essas pessoas”, complementa. 

A Arte no Paço está aberta ao público até domingo (21), com a feira de artesanato, oficinas e apresentações culturais. A entrada é gratuita.