Duo de Violões traz as influências de Johann Sebastian Bach na música latino-americana

Julho 20, 2019

Foto: Larissa Pinto

Texto: Carolina Carvalho

O Grêmio Literário Tristão de Ataíde (GLTA), localizado no Centro Histórico de Ouro Preto, foi palco do Duo de Violões, composto pelos professores Victor Vale e Flávio Barbeitas, na noite de quinta-feira, 18 de julho. O concerto, intitulado de “As influências de Johann Sebastian Bach na música latino-americana para violão solo”, faz parte da programação do Festival de Inverno de Ouro Preto, Mariana e João Monlevade e busca valorizar a música erudita. A apresentação buscou retratar 300 anos da história da música clássica e foi, cuidadosamente, adaptada para o evento.

Iniciando com um momento solo, Victor Vale trouxe algumas referências barrocas e paraguaias, explicando à plateia o motivo de ter feito uma troca de violões entre uma canção e outra. Num segundo instante, Victor deixou o palco; e Flávio Barbeitas passou a comandar, também sozinho, o concerto. Incorporando influências de artistas e compositores brasileiros, como Heitor Villa-Lobos, ele arrancou aplausos do público e finalizou dando abertura à última parte do espetáculo. Então, Flávio retornou ao palco do GLTA e, acompanhado de Victor, enfim, interpretou a peça conhecida como “Sonata de Bach”, que é dividida em três movimentos.

A sintonia com a qual os músicos se apresentaram é explicada pela parceria dos dois dentro da universidade. Flávio, professor da Escola de Música da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), foi orientador de doutorado de Victor, que, atualmente, também é professor do curso de Licenciatura em Música, porém, da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Assim, compartilhando suas afinidades musicais, os dois alinharam suas predileções e levaram, pela primeira vez, ao palco do Festival, essa apresentação de duo de violões.

Sobre a importância de fazer parte da programação do Festival de Inverno, Victor comenta que “o Festival de Inverno é fundamental para esse tipo de música, que carece de outros espaços para apresentação. A indústria cultural já controla, de certa forma, o que a gente escuta nas rádios e o que a gente vê na televisão; então, se a nossa música não tiver essas oportunidades, fica restrita apenas à universidade e ao núcleo acadêmico, o que não é o que a gente quer”. Flávio complementa que os dois já estão trabalhando para aprimorar o repertório a fim de trazer ao próximo Festival um novo concerto. Ele faz, ainda, uma reflexão sobre o papel da universidade no fomento de atividades culturais para a comunidade: “Temos que enfrentar os problemas de cabeça erguida, trabalhando, para não deixar que os contratempos construam a narrativa da universidade e para que ela possa mostrar tudo o que ela faz de bom e de sério”, conclui.

Liliane Barros de Almeida, professora da área de educação da Universidade Federal de Goiás (UFG), está de férias em Ouro Preto e descreve que está acompanhando o Festival de Inverno, comparecendo, com a família, a todas as atividades que pode do evento. “Achei tudo muito bom, a programação está muito boa, e a apresentação de hoje me lembrou a de um Duo que fui há algumas semanas, lá na UFG mesmo”, comenta, elogiando o concerto.

O espetáculo faz parte da programação da última semana de Festival de Inverno de Ouro Preto, Mariana e João Monlevade 2019.