Música e debate encerram o Potência da Periferia no bairro Padre Faria

Julho 23, 2019

Foto: Patrick de Araújo

Texto: Letícia Lopes

A praça do bairro Padre Faria se despediu, no dia 20 de julho, da 52ª edição do Festival de Inverno de Mariana, Ouro Preto e João Monlevade com muita música e resistência. Durante o dia, a Casa de Cultura foi lugar de intensas reflexões com a roda de conversa “Papo reto: A cultura do Hip-Hop e o Ativismo de Periferia”. Participaram artistas da cena ouro-pretana e marianense que, por meio do hip-hop, promovem discussões acerca da vivência negra e periférica.

A noite deu lugar a DJs, rappers e ao esperado show do rapper mineiro Fabrício FBC. Sandra Cardoso, agente comunitária do bairro, disse que participou ativamente das atrações do Festival e, ansiosa para o show do FBC declarou “Estou amando isso de trazerem bons shows para o bairro”. O DJ Afrobol, o primeiro da noite, é da cidade de Mariana e destaca o importante significado do evento, para além do lazer.  “Tocar aqui é muito especial. Aqui se concentram muitos pólos culturais”, disse.

Potência da Periferia foi o nome dado à curadoria que, este ano, foi responsável por estreitar os diálogos entre o Festival, a universidade e a comunidade. A Casa de Cultura do Padre Faria foi o lugar que recebeu as rodas de conversa e diversas oficinas voltadas para a comunidade do bairro onde, no século XVII, foi iniciada a corrida do ouro na cidade. “Aconteceu muita coisa por aqui. Muito foi perdido, explorado e agora, há muita coisa a ser recuperada”, afirmou o curador Douglas Aparecido, ao falar sobre a arte e acultura como ferramentas de emancipação da periferia.

Segundo Stephanie Dias, umas das organizadoras do Potência da Periferia, o desejo é de que as ideias e aprendizados que vieram com o Festival de Inverno se perpetuem e continuem acontecendo. “Descentralizar a cultura é importante durante todo o ano”, acrescentou. Ela contou que a participação da comunidade, embora possa ser maior, foi considerável em todas as oficinas e conversas, reforçando a importância de uma curadoria específica no bairro.

Orgulhoso e satisfeito, Douglas disse que encerrar o Festival com um show de rap significa mostrar, na prática, tudo que foi construído e discutido durante o evento “É mostrar que a cultura periférica é forte e pode levar as pessoas muito longe”, finalizou.