Mariana e seus 326 anos de história e criatividade

Julho 16, 2022

Alice Carpes

A primaz de Minas começa lá em 1696, quando bandeirantes paulistas encontram um rio repleto de ouro. Resolveram batizá-lo de Ribeirão Nossa Senhora do Carmo. Foi aos arredores desse rio que se formava a primeira vila, a primeira cidade planejada e a primeira capital do Estado. O nome Mariana veio somente em 1745, quando a vila recebeu a categoria de cidade, e o nome foi uma homenagem do rei de Portugal, Dom João V, à rainha Maria Ana D’Áustria. 

Por muito tempo, Mariana foi considerada a capital religiosa, sendo a segunda diocese da colônia estabelecida em 1745. Seu povo segue espirituoso desde então. As festividades religiosas, que acontecem tradicionalmente todos os anos, chamam atenção do Brasil e do mundo todo! Um exemplo é a Semana Santa. Os lindos tapetes de rua com desenhos de paz e amor encantam os olhares daqueles que passam. Na semana, também tem a famosa Procissão das Almas, com seus andares sincronizados, velas e túnicas brancas arrastando diversos moradores (e curiosos) pelas ruas da cidade, mantendo viva a cultura e a memória marianenses. 

E o que dizer das artes? As formosas igrejas com suas esculturas e pinturas representam as figuras da Igreja Católica. O barroco exala nas construções do Centro, com casarões antigos monocromáticos e ruas e calçadas de pedra. Mas cada distrito tem sua particularidade. Em Passagem, a manifestação artística é gritante. Lá, temos o Circo Volante, responsável pelo Encontro Internacional de Palhaços que preenche Mariana de risadas todos os anos. Não é à toa que Passagem é o primeiro Distrito Criativo do Estado de Minas Gerais. Ou seja, um lugar onde a criatividade é o princípio básico das atividades ali realizadas.

Poderíamos falar horas de cada singularidade de Mariana, mas nosso espaço é curto. Essas palavras foram apenas uma pequena pincelada dos tantos acontecimentos desse lugar. Por último, mas não menos importante, queremos relembrar de outra parte da história. Dos negros que foram escravizados. Do ouro retirado. Do povo explorado. Das tantas revoltas e conquistas que tiveram. Muito sangue foi derramado nessas lutas. A mineração marcou a cidade. Contudo, o que foi realmente valioso não foi o ouro. Não é o minério. São aqueles que construíram e constroem esses 326 anos de história. Por isso, neste 16 de julho, desejamos um feliz aniversário para essa cidade tão preciosa, tão rica de histórias.