Myrian Aubin emociona Casa da Ópera com talento e simpatia

Julho 20, 2019

Foto: Patrick Araújo

Texto: Daniel Almeida

O toque cuidadoso, preciso e rápido de Myrian Aubin no piano emocionou o público que prestigiou o concerto de música erudita moderna e contemporânea nessa sexta-feira, 19 de julho, na Casa da Ópera, em Ouro Preto. À meia-luz, paixão, saudade e tristeza vibraram nos ouvidos atentos por meio do dedilhado habilidoso da pianista.

A artista, de voz doce e gesticulação delicada, explicou cada uma das peças que tocou de forma didática para a audiência. Com isso, Myrian pretendia cultivar o gosto pela música erudita e, assim, disseminá-la entre aqueles que não costumam ouvi-la. A pianista foi aplaudida diversas vezes pela Casa da Ópera lotada, não apenas por seu talento, mas também pela sua simpatia. Myrian sabe que nem todo brasileiro pode ir a concertos, mas reforça a importância da disseminação da música erudida.

Durante a apresentação, Myrian tocou as peças moderna “Fantasiem op. 116" (J. Brahms), "Passacaglia" (Aaron Copland) e "El puerto" (Issac Albeniz), além das contemporâneas "Três micro-peças" (Ronaldo Miranda) e “Cartas celestes nº 2” (Almeida Prado). De acordo com a pianista, o repertório escolhido para o evento teve como objetivo mostrar ao público a capacidade da música erudita de expressão e transmissão de sentimentos. “Eu quero despertar nas pessoas o gosto pela música erudita. Quero que elas ouçam, sintam e apreciem a expressividade das peças”, comentou.  

O geólogo Júlio Cezar Kattah (23) aprecia música erudita e enalteceu a inclusão do concerto de música erudita na programação do Festival de Inverno e o estilo musical em si. “O legal de trazer música erudita para o Festival gratuitamente é mostrar para as pessoas que esse estilo musical, diferente de outros, não precisa da linguagem verbal para expressar algo, pois ele parte do sensorial, algo comum a todos os seres humanos”, pontuou.

Myrian também enalteceu o Festival de Inverno de Ouro Preto, Mariana e João Monlevade por proporcionar à população de Ouro Preto e região acesso à música erudita que, por muitas vezes, fica restrito às parcelas mais abastadas da sociedade. “O Festival é brilhante e deve ser realizado sempre, uma vez que dissemina arte. É preciso o esforço de todos para que ele aconteça e, assim, o acesso à cultura seja democratizado. Ofertar cultura é dar ferramentas para a sociedade e recebê-las de volta!,  finalizou.