Oficina “Outro olhar" ensina educação patrimonial e pertencimento às crianças do Morro São Sebastião

Julho 23, 2019

Foto: Gabriela de Lima Gomes

Texto: Raíssa Lessa
Foto: Gabriela de Lima Gomes

Empoderar as crianças com o seu entorno é a proposta da oficina “Outro olhar”, que aconteceu na casa paroquial da Igreja do Morro São Sebastião, em Ouro Preto, nos dias 18 e 19 de julho. Para o primeiro dia foram programadas práticas no exterior da casa paroquial e também um passeio pelas ruas do bairro. A atividade integra a programação do Festival de Inverno de Ouro Preto, Mariana e João Monlevade.

No começo da oficina, cada criança teve que se apresentar e fazer um movimento, o que gerou muitas risadas e um momento de descontração entre elas. Logo depois, o educador João Drummond começou a contação da história “Amoras”, livro infantil do rapper Emicida, que ensina sobre representatividade e figuras importantes para o movimento negro no Brasil e no Mundo. Na sequência, a cozinheira e educadora Vânia Amaral falou sobre as frutas, hortaliças e ervas medicinais que nascem nos quintais das casas das crianças e as levou em um passeio para conhecer as riquezas do Morro São Sebastião. O circuito começou nas ruas próximas à capela e passou pela casa da Maria dos Anjos, ou Dona Maria, como é conhecida, onde crianças puderam brincar em uma casa da árvore construída no jardim. O passeio terminou com uma prática de respiração consciente no templo Zen Budista.

Ana Amaral, curadora de Patrimônio do Festival de Inverno de Ouro Preto, Mariana e João Monlevade, conta que a oficina foi uma iniciativa dos oficineiros Vânia Amaral – que é moradora do Morro São Sebastião - e João Drummond, e tem como objetivo trabalhar a educação patrimonial com as crianças para que elas reconheçam os tesouros do bairro onde vivem.  “Propomos um olhar extra-cotidiano sobre um lugar que eles já estão habituados. Para isso, vamos abordar a questão da diversidade cultural, o pertencimento, a memória e também vamos ter aula de culinária com produtos dos quintais e hortas da casa delas”, afirma. De acordo com Vânia, é importante passar esse conhecimento para as crianças, pois elas são instrumentos de transformação na sociedade. “Em uma sociedade adoentada, ensinar a valorizar o que temos, onde moramos é saudável. Esse bairro é muito rico e quem mora nele também é”, ressalta.

Maria Eduarda Gonçalves, de dez anos, gostou muito de participar da oficina. “Eu gostei de dançar, de estar junto com meus colegas, de ler sobre Zumbi dos Palmares”. Para ela, a maior riqueza do Morro São Sebastião são o amor e a paz. César Mendes, de nove anos, conta que já gostava do bairro antes da oficina e vê na união das pessoas a maior riqueza do Morro. Ele também gostou de saber mais sobre os personagens do livro “Amoras”. “Foi legal aprender sobre o Zumbi dos Palmares, Alla e Oxalá”, conclui.