Parada LGBTQIAP+ marca a edição 2022 do Festival de Inverno com shows e sanção de Lei

Julho 5, 2022

Emanuel Silva

 

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A cidade de Ouro Preto foi preenchida com as cores do arco-íris no dia 3 de julho, durante a celebração da 4ª edição da Parada LGBTQIAP+. O evento inédito na programação do Festival de Inverno reuniu moradores, turistas e autoridades locais. O ato contou com a sanção da Lei de Criação do Conselho LGBTQIAP+, na Praça Tiradentes, local marcado pela luta democrática de igualdade. As atrações do dia contaram com a dupla Lu & Vitão, que abriram a parada, a Escola de Música Samba Preto Choro Jazz que ministrou a oficina de tambor e levou todos em um caloroso cortejo até a Praça da UFOP, onde aconteceu o show da cantora Potyguara Bardo, encerrando as comemorações do dia.

Após 12 anos, a Parada LGBTQIAP+ de Ouro Preto, realizada via entre a UFOP e a Prefeitura, também assinalou o início do primeiro Festival após a pandemia da covid-19. Victor Pinto, organizador da Parada e diretor em Educação e Saúde da Secretaria de Saúde de Ouro Preto, ressalta a importância do evento para a cidade: “Mostrar que é um movimento cultural, de luta por direitos e que está longe de ser aquela imagem de parada que foi construída no imaginário, do vulgar. É o movimento de resistência e de luta”, ressalta. 

Para Tamires Felix e Rafaela Cristina, de Ouro Branco, que vieram somente para o evento, a parada traz para a cidade a visibilidade necessária. “Querendo ou não, aqui é muito universitário e tem muitas pessoas se descobrindo e trazer a parada para as pessoas que ainda não se assumiram dá um ânimo”, diz Tamires Felix.

Durante o evento, houve a sanção da Lei de Criação do Conselho LGBTQIAP+, assinada pelo prefeito Angelo Oswaldo. A lei surgiu com base nas demandas do mapeamento da população LGBTQIAP+ do município, realizado no último ano. Sua criação vem para: “dar voz e para ter cobrança da própria população nos casos de discriminação, com foco em políticas públicas, nos eventos, na parte cultural…”, explica Victor. 

A vice-prefeita de Ouro Preto, Regina Braga, expressa sua felicidade e orgulho como mulher, lésbica e ouro-pretana em poder celebrar esse dia na cidade que sempre foi palco da luta democrática. “Depois de alguns anos sem essa oportunidade, da gente mostrar para as pessoas que toda forma de amar vale a pena, a gente tem que ser o que é, tem que ser feliz e Ouro Preto é o berço da liberdade”, exclama a vice-prefeita.

Outras ações também estão sendo pensadas para serem colocadas em prática como o Centro de Referência LGBTQIAP+, outra colaboração da parceria entre a UFOP e a prefeitura que visa a construir “um espaço multicultural e com vários tipos de atendimento, como saúde, cultura e lazer”, salienta o diretor em Educação e Saúde.

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Apresentações culturais
O Festival de Inverno resgata o seu caráter formativo em 2022, dando visibilidade para grupos artísticos e artistas locais. Diego Fernandes, fundador da Escola Samba Preto, que ministrou a oficina de tambor, aponta a importância dessa valorização: “Essa oportunidade que está sendo construída tem que continuar assim! Mesmo que as adversidades venham, a gente tem que continuar valorizando a prata da casa”. Luíza Dutra, da banda Lu&Vitão, compartilha da ideia: “O Festival de Inverno é um evento que dá oportunidade para os artistas locais, e Ouro Preto é muito cultural. Está  sendo muito bom para mim estar aqui no Festival”.

Potyguara Bardo, artista natalense, que se apresentou recentemente na Mostra de Cinema de Ouro Preto, conta que foi a primeira vez que cantou em uma Parada LGBTQIAP+. “Foi surreal e bizarro da melhor forma possível! Eu nunca tinha feito parada, eu nunca tinha cantado em show de parada.” É a primeira vez também que a cantora faz show na mesma cidade em datas próximas e, segundo ela, isso a permitiu criar laços com as pessoas e com o lugar. “É muito bom quando a gente consegue se conectar com as pessoas da cidade, e eu me sinto assim. Dessa vez, diferente de outras, pela primeira vez em uma cidade, eu voltei logo em seguida e já estou reforçando as relações que eu fiz e tão rápido.”, conta Potyguara. 

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